terça-feira, 3 de julho de 2007

espeto de ferro

Saí de carona com o thi, sempre atrasado e fui renovar a carteira. Isso porque em seis dias morre o mês que eles dão de lambuja pros atrasados como eu. Chego na clínica e descubro que paguei duas vezes a mesma taxa. A balconista diz: “é... é muito difícil de eles restituírem esse dinheiro..” - e completa: “são 43, 90”. E eu, “como assim, eu já não paguei tudo?” – ela: “vc pagou o detran, inclusive duas vezes, agora tem q pagar a clínica”. Beleza, eles não aceitam cheque. Fui embora com a promessa de voltar amanhã. Passei no detran pra checar como faz pra receber a grana de volta. É assim: fila, xerox do comprovante + identidade (indentidade, como disse a loira de celular com capa rosa e três mil pulseiras de 5 cm de largura cada), voltar amanhã, fila, autorização de restituição pelo detran, Secretaria de fazenda, fila, de 90 a 120 dias de espera, depósito em conta corrente, sem garantia, caso dê errado volta no detran.

Saí do detran e passei na frente do banco do brasil, olhei a hora e pensei, “dá tempo de tirar os 43,90 e ir lá na clínica”. Fila no caixa eletrônico. Saldo de, prestem bem atenção, 151,... negativos. Olho pro aviso: notas de 10, 20 e 50 reais. Nenhuma máquina fazia saque de 5 reais. A que fazia saque de notas de dois tinha um papel na tela: por favor, utilize outro terminal. Eu que precisava de 43,90 só podia ter 40. e 5 centavos q me sobraram do xerox de 60(!) centavos na lanchonete(!) do lado do detran.

Ok, vou ter q voltar amanhã mesmo. Bom é q a clínica é em frente ao detran. Pena q a fila de um não sirva pro outro.

Voltei andando pra casa, primeira vez com computador na mochilinha, crescendo o meu pânico de assaltos e mãos-armadas. Net discada, fui ver o que rola de edital. Pra mandar, pra ter nome, pra quem sabe expor, pra que sabe ter dinheiro. Descubro q hj acabam as inscrições pra dois ótimos. Pensei: dá tempo, tem o correio do shopping q fecha tarde. Mas eu to sem carro. De carona. Daqui a pouco sem carteira. E tem q levar as fotos pra revelar. Seria assim: banco, 40 reais no máximo na carteira, fotos de 25x20, 3,50 cada. Ônibus pro shopping, sedex, envelope pago pra reenvio. Daqui a pouco serão seis horas e eu no ônibus. Não, num dá. Acho q já deu pro dia. E ainda a dúvida: vou mandar e vai ficar faltando aquilo, ou, é foda de conseguir, ou aposto q aquele cara entra e eu não..

Ahhh eu preciso de um motoofficeboy!

Descubro que a solução de muita coisa na minha vida é além do motoofficeboy, começar a fazer esporte. Ou ligar pro médico. Homeopata. Tinha um tempo q eu tomava cerca de 20 comprimidos por dia, e era ótimo. Eu quero remédio pra aceitar os barulhos do mundo. Pra aceitar fila e gente q não entende seu problema quando é paga pra entender.

Acho, realmente, que eu sou esse negócio, como que chama? Hipocondríaca. eu ia falar hipoglos. “olá doutor, eu sou hipoglos e quero me tratar!”. Santo de casa não faz milagre. Casa de ferreiro, espeto de pau.

ps.

filme espanhol muito bom, delícia de linguas presas e inversões de objetos e preposições. expressões e cores e caras e bocas e peitos. viva españa.

Me larga, não enche.

putz, são 11:17 da manhã e eu tô cansada.
minha vida é uma correria, mesmo. e eu sou louca.
cada vez mais tenho essa certeza.
o bom é que ser louca me leva, no mesmo grau, para situações imbecis e para situações inusitadamente felizes.

gosto muito do inusitado. a começar pela palavra.
e não tem mesmo nada melhor do que planejar mil coisas e fazer outras mil, totalmente diferentes. o difícil é que o inusitado, na minha vida, carrega junto com ele a angústia. e a culpa.

mas bem. estou chegando em casa agora. estava na casa da cacá tomando café da manhã enquanto minha casa não era liberada pelo cara da dedetização. dedetizar é preciso. baratas, além de serem baratas, trazem escorpiões. e aqui na regional da lagoa do nado estamos tendo problemas com escorpiões. nunca vi um, mas penso neles todos os dias ultimamente. toda vez que vou calçar sapato, que piso na tampa da caixa de gordura no quintal, que subo a escada que leva pro quartinho. esses seres que estão sempre aí sem nunca estar. igual a culpa.

a culpa é venenosa feito um escorpião. só que ela finge de boazinha, ela se mistura com a complacência. faz com que a gente se confunda e esqueça de que na verdade a culpa é dó de nós mesmos.

exatamente o que eu tô sentindo aqui... um dózim de mim. ai, ai, como sou coitada, né? trabalho taaaanto. nem me divirto.

sai de mim, trem! que eu sou feliz.