domingo, 26 de agosto de 2007

Aqui estou na sala de embarque. O portão é o 22. Consegui não chorar na despedida, mas sei que vai ter muito choro daqui pra frente. 14 horas de choro no avião. Nada, serei mais forte e vou segurar. Deve fazer bem segurar o choro. Auto-controle descontrolado. O meu cabelo já desbotou e nem me sinto com 32 mais. To puta pq descobri q essas internets de aeroporto são pagas. Então pra q serve a função airport? Merda de capitalistas que querem ganhar dinheiro com tudo, já não basta a passagem custar o preço de uma motocicleta. Eu poderia ir pra bélgica de moto. Antes de tudo preciso de um tampão de ouvidos. Sempre escolho um lugar vazio pra sentar, aí quando tudo vai bem e tranquilo, aparece uma família de imigrantes discutindo o valor da mesada. Aiaiaia. Preferia não entender tão bem as coisas que as pessoas só falam porque sabem que tem alguém ouvindo.
Acabo de checar a lista de coisas pra fazer que o thó escreveu pra mim no meu desktop. Quase tudo feirto. O que não foi feito são as coisas q mudei de idéia. Faltou mesmo terminar o presente do zz. Pudera. Zz, um abraço pra vc, ja sei q a Lili lierou as fotos. Parabéns! Seu casamento foi mesmo lindo e me fez refletir sobre querer casar. Bom, essa reflexão eu vou deixar pra depois, pelo menos pra daqui um mês, quando terei respostas do cosmos sobre o meu futuro. Um futuro físico, que me exige mudar de hora e lugar, mas que ainda não sei o quanto vale a pena.

Portugal: são 8:54 da manhã de domingo, e estou num café em lisboa, no aeroporto, esperando dar a hora do meu voo pra tão sonhada bélgica, que será as 12:00. Tenho ainda muitas horas pra esperar, o tempo suficiente de ir comer gastando muuuitos euros. Não da pra ficar multiplicando todos os preços por 3. Desse jeito pego primeiro voo de volta pro brasil. Aqui ainda é meio casa, todos os atendentes falam português, inclusive com sotaque ultra brasileiro. Mais uma vez, nada de acesso de graça a internet. Só se eu quiser consultar o encaminhamento da minha bagagem. Já vi muitas pessoas com cabelos interessantes, acho q vou no cabeleleiro logo. Dava tempo até de sair do aeroporto e ir no salão, mas como eu não quero ficar multiplicando nada por 3, fico aqui mesmo.

O triste é ficar esse tempo todo sozinha, tendo que ver as pessoas me olhando e imaginando de onde eu sou e pra onde estou indo. Minha única companhia é esse computador branco e uma xícara de café espresso.

To com muito sono, o fuso horário me roubou 5 horas essenciais de bom sono, sono esse que nem passou perto de mim ao longo da viagem. Vários pensamentos, especulações e blas blas blas a noite (metade de uma noite) toda.


Muitas línguas que eu ainda não sei de onde. Sons engraçados e conversas com um bebê francês no banheiro. Pelo menos com um bebê francês eu consigo me comunicar. Já vi que aqui do lado tem um mc donald´s , e é lá onde tomarei o meu pequeno almoço.

Não consigo saber se os preços aqui do aeroporto são mais baratos do que fora daqui porque não sei como são os preços fora daqui. Bom, muitas pessoas fazem compras em lojas chiques, ou elas são muito ricas ou os preços são realmente caros lá fora.

Aiai, pareço uma menina pequena, preocupada com o preço de tudo, igual naquele jantar em buenos aires quando eu era chiquita. yo lo soy ainda.
saudade, quero visitas!

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

o velho e o menino no trem da vida



ontem eu tava tocando em pedregulho SP. mais um desses lugares inacreditaveis que a gente só acredita que existe estando lá. na verdade tá muito interessante esse esquema de viajar pelo brasil inteiro fora das grandes metropoles. Por volta do ano 2000, quando eu comecei a tocar frequentemente em cidades como rio, sao paulo, recife, salvador, porto alegre, curitiba e outras cidades grandes, eu tive a primeira revelaçao sobre engolir o mundo e conhecer a vida alem dos limites de BH. realizei sonhos, partindo por esses caminhos... tocando musica e conhecendo novos horizontes. achei que ali estava guardado meu destino. depois eu cansei e quando eu me vi de frente com a possibilidade de conhecer o mundo alem das fronteiras do pais eu nao pensei muito. tinha muita coisa aqui pra deixar, mas tinha muito mais coisas la fora pra encontrar, desvendar, viver. vivi. com intensidade. conheci outros paises da america do norte, vivi por 5 anos nos estados unidos, visitei o mexico e em cada novo lugar eu achava cada vez mais que ja fosse o bastante, que eu ja tinha visto muita coisa, que era hora de voltar pra casa e viver minha velhice em paz. velhice essa que começou aos 11 anos de idade quando pela primeira vez eu saí do pais pra visitar o chile. ao inves de ter a sensaçao de urgencia da descoberta do novo, desde aquele tempo eu ja achava o bastante. alguma coisa a ver com a alma pequena talvez. uma cabeça ambiciosa que me leva pra frente por um lado. pelo outro uma preguiça inexplicavel que me diz sempre que já ta bom, que é hora de arrumar a casa, o cachorro e o jardim. entao quando essa velhice me abateu nos estados unidos, estava eu com meus 25 anos, em oaklahoma, dormindo na beira de alguma estrada dentro do carro. de tao velho resolvi voltar pra minha casa. demorou mais ainda o que me deixou mais velho e rabugento. aquilo nao era mais meu lugar e cada conquista desses ultimos meses só fazia aliviar um pouco a artrite mental que em mim se havia alojado. foi ai que eu fui arrebatado pela grande corrente de sarcasticas desgraçinhas que me fizeram morrer de velho. foi duro começar o ano de 2006. foi pior ainda me descobrir cada vez menos super homem a cada dia. mas ai veio aquele conforto que só a maturidade da minha eterna velhice podia ter me trazido ao longo dos anos. eu ali meio morto meio vivo, em banho maria (assim eu achava) comecei o processo que realmente me traria de volta. comecei a dar conta de mim mesmo e sugar da consiencia pequenos fragmentos de detalhes gostosos da vida ordinaria que eu levava. um sorvete, uma risada. a cerveja foi ficando menos amarga e no meio disso tudo eu acordei no meio de uma turne. la estava o velho de novo sentado num quarto de hotel assistindo natgeo e discovery channel pra saber como aquela imensa bola de fogo se formou no ceu ou porque os macacos brilhantes da atlantida submersa eram os responsaveis pelo aquecimento global. a preguiça veio de novo. e de novo. mas tava ali e de alguma forma era bom. de algum jeito era confortavel nao estar em casa com tudo no lugar. uma mala sempre faltando coisa. um jeito improvisado de transformar o quarto de hotel no seu lar por um dia. aquilo era parte de mim tambem. vixi. que veio doido que eu sou. para com isso né? a casa já ta alí. as coisas estao finalmente no lugar, até o cachorro ja esta no sofá assistindo TV do lado do meu copo de leite. pra que essa inquietaçao ja que eu nunca gosstei? mentira. gostei sim. sonhei, sonhei demais, adorei ver o dia amanhecendo dirigindo o carro no meio do deserto. adorei fazer xixi pra escrever o nome na neve. adorei nao saber o que as pessoas diziam e depois de um tempo saber sim. adorei tudo isso, adoro tudo isso. pra que mentir. dentro da mesma pessoa existem o velho e o menino convivendo por vezes na rivalidade, por vezes ajudando um ao outro. na verdade é isso. nao posso ser velho todo o tempo porque nao é tudo que eu sou. da mesma forma nao posso viver a vida sem saber do amanha porque ja sou velho pra isso. a verdade é que o menino só vive com o velho e o velho depende do menino pra ser rabugento. ca estamos os tres. sentados na frente do computador. o menino com os olhos brilhando com a nova ideia e o velho resmungando por causa da nova ideia que ta surgindo. o velho quer ficar, mas ele ja descansou muito, quase dois anos. agora é a vez do menino sair e conhecer mais, vamos os tres pra europa.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007


vc é luz, raio, estrela e luar.
essa é a lista de sobrevivência q acabei de receber:
pão: de 1,20 a 2,00
cerveja: 1,8
espaguetti: 6 (barato) a 12
4 tomates: 1
1 bife: 1,50
1 kg de batatas: de 0,80 a 1,00