terça-feira, 18 de setembro de 2007

feliz aniversário, mãe!







tomar sol de roupa sem suar, isso é que é mágica.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

de muito antes mesmo já desde a luz

não não, eu vim de longe pra escrever aqui também.

qualquer coisa que faça sentido no meio da chuva, depois desse copo de vinho em cima da mesa. procuro uma casa já tendo várias, só porque resolveram um dia que tempo era diferente de espaço. eu acredito que tempo e espaço é tudo a mesma coisa, e ainda, que é tudo luz. apenas luz. pra fazer enxergar no escuro o que não dá pra ser ouvido, esse é o tempo. pra fazer falar junto com o amanhecer do dia tudo aquilo que todos falam mais ninguém ouve, pra isso veio o tempo.

e mesmo se a chuva encher mais uma vez meu copo, ainda assim vou ter sede. pela décima oitava vez um carrou passou na poça d`água e vez chhhhhuuuuaap. agora foi a vez do ônibus, amanhã a minha. porque não tem luz que caiba na mão nem no dedo, só mesmo algumas gotas. só, algumas gotas.

lembro quase todas as noites antes de dormir que se a luz não existisse não existiria tempo, nem passado. tem gente que sabe mais sobre isso. todos eles sabem. eles me disseram no décimo oitavo carro. o ônibus só veio pra contaminar o que eu já sabia.

pela mania de contabilizar, existem três bonecas na parede. todas com saia listrada. nenhuma bebe, nenhuma tem dedo. todas são felizes, mas cada um tem um brilho diferente no olhar.

o sino tocou e nenhum anjo caído me apareceu. nem a nova profecía, nem o vinho. somos todos artistas e estamos juntos porque a luz existe já desde de muito antes mesmo de nós querermos ser.

domingo, 16 de setembro de 2007

e ai?

só eu que escrevo nessa breguete né?

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

e nao é que acontece mesmo???


cá estava eu aqui a poucos dias falando sobre ir me embora pra europa, sobre toda minha inquietaçao a respeito da necessidade de ficar no mesmo lugar e ao mesmo tempo conhecer o mundo inteiro. Mesmo na mesmice da mesma coisa sempre a mesma, eu sentado em frente a mesma mesa sem saber decidir sobre o casamento ou a bicicleta, eu nunca deixo de pensar na força do querer. e nao é que eu queria mesmo ir pra europa? e nao é de hoje. tá bem, tá bem, eu queria antes ir pros estados unidos. fui. voltei e desde entao eu queria ir pra europa. cheguei aqui em março de 2006. nao, na verdade eu cheguei mesmo em agosto. em março eu vim mas voltei ainda. isso nao vem ao caso anyways... o que importa é que em agosto quando eu cheguei eu coloquei na minha cabeça que no final de 2007 eu iria para a europa com o dinheiro que juntasse até lá. nao deu pra juntar o dinheiro. nem mesmo pra começar já que eu cheguei no brasil com uma baita divida. grande mesmo, assim de assustar. nem paguei ainda mas nao assusta tanto assim. embora transtornado no decorrer desse ano fatídico eu me deixei ainda que contrariado arrastar a asa praquela moça que nada tinha a ver comigo. mas ela tinha um desejo: europa. bacana. ela nem tinha nada comigo e tinha o mesmo desejo que eu. tudo bem que passam-se meses, muitos e muitos e a vida ja nao era a mesma de quando eu cheguei aqui com uma vida em branco pela frente pra preencher como quisesse. a gente vai se enraizando de uma forma que fica dificil virar depois e falar: eu vou pra europa. era facil em agosto, nao agora. além do mais, isso custa dinheiro. nao é pouco. morando sozinho fica mais dificil juntar. tem ainda os projetos, os trabalhos e tudo. chega agosto de 2007. aquela que nada tinha a ver agora tinha tudo comigo. a mesma xicara, o mesmo quarto e por ai vai, resolve se despedir. e nao é que ela foi? e lá está ela agora. e eu aqui escrevendo textos abandonados toda noite. e eu morrendo de vontade de estar lá tambem, agora mais ainda porque ela tá por ali. mas bora lá: eu estava em sao joao del rey quando recebo um telefonema de um numero desconhecido. o cara na outra linha veio me convidar pra fazer uns shows no equador e colombia. ano que vem tambem tem show. é. é lá mesmo. europa. mas que coisa. tanto quis, tanto pensei que vem o cara e pensa em mim lá na casa dele e resolve me ligar pra me chamar pra europa. adorei. e nao é que acontece mesmo? a gente deseja, pensa, repensa e se faz por onde, vem a porta e abre na sua frente. claro que eu nao tô dizendo que é só pensar forte que você vai pro japao. mas que faz diferença colocar uma coisa na cabeça e ficar com ela ali chocando, isso faz. só isso. uh! eu quero ir pra lá meeeeeesssssmo!!!!

aceno

Mais uma vez aqui estou eu pensando mais do que fazendo. Fiquei comigo mesmo horas a fio hoje tentando preconceber o que vai acontecer comigo dentro dos próximos 14 dias. Foi assim me perdendo em possibilidades que eu me encontrei mais uma vez. Isso tem acontecido com muita frequencia desde que eu recobrei a minha hipotética saúde mental. Essa saúde vem do equilíbrio das minhas vontades. Da alegria do meu dia-a-dia, do amadurecimento das minhas ações e por ter feito as pazes com o mundo. Então aqui estou eu na posição irônica de ser deixado pra trás com um paninho branco acenando no cais. Porque irônico? Porque 6 anos atras era eu que partia no barco. Eu saia em busca de um sonho. Era muita renúncia envolvida. Uma vida inteira deixada pra trás. Gente acenando o paninho pra mim, eu bem me lembro agora. Só que dentro da minha cabeça o que passava era um filme totalmente distante de tudo aquilo. O anseio pelo novo, pelo imprevisível era tudo que eu enxergava. Ainda me lembro quando pegava o ônibus para são Paulo que me levaria até o aeroporto internacional. Foram horas de silêncio. Eu não estava sozinho mas cada um dentro daquele ônibus estava muito ocupado com seus próprios pensamentos. Era uma mistura de medo e empolgação pueril que encharcava cada minuto. Sentado agora no meu quarto, depois de todos esses anos eu fico paralisado naquele momento como se tivesse acontecido agora. A diferença, além da óbvia ação do tempo é que agora eu vivo o lado dos bastidores. O coadjuvante da historia protagonizada por quem vai em busca de um sonho. O paralelismo é inevitável. Quando foi minha vez, eu estava vivendo um momento bem tumultuado da vida pessoal e por vezes eu me confundo pensando o que realmente acontecia naqueles dias que antecediam a partida. Assim como acontece agora ao inverso, era eu que deixava pra trás alguém que não queria me perder e ao mesmo tempo não queria que eu perdesse o meu sonho. Talvez por causa dessa prévia experiencia toda eu assumi agora o papel neutro de incentivador incondicional. Primeiro por saber o que te espera do lado de fora quando você vai em busca do que não conhece. Segundo por não querer ser uma pedra de duas toneladas amarrada na cintura de alguém fazendo força contrária ao sentido da turbina do avião. Como sempre fui um tipinho egoísta até pouco tempo, eu pouco me preocupei (difícil admitir essas coisas) com o sentimento de quem fica pra sentir a falta. Quem vai é amparado pelo mascaramento que a novidade incessante bombardeada todo o tempo proporciona. Quem vai é também confortado pelo grande sentimento de realização, de ciclo iniciado, de página virada. Já quem fica é quem vive a rotina da vida como antes. Porem com o sentimento de amputação repentina que permeia todas as mínimas açoes. é como se achar acordado depois de uma boa noite de sono, sem as coisas boas que estavam presentes durante o sonho. é acordar na mediocridade da vida vazia sem ter nada pra fazer. engraçado é ver isso hoje, aqui sentado escrevendo sobre o sentimento que um dia eu causei e que agora é meu. famoso "o mundo dá volta" e sou eu uma prova viva desse ditado. nao só por isso, mas por tudo mesmo. tem mais por vir...

tadinho

2006 foi quando pela primeira vez eu vi o mundo desabar na minha frente de uma forma que eu nunca poderia ter previsto. de fato que eu sempre tive um lado barango de tratar a vida como tragedia. qualquer pequeno problema era um dramalhao só, uma tristeza infundada, uma lamuria inconsistente que só queria remeter aos grandes herois. era como se eu quisesse ter uma historia tragica pra justificar toda aquela predisposiçao para a cara fechada, para a sonolencia dos minutos de angustia que tanto me atraiam. era meu sonho ser martir. ser o asiatico na frente do tanque da paz celestial, o grande revolucionario da motorcicleta. mas é um tanto verdade que nao se deve ensaiar para ser um desses aí. tanto pedi que tive uma mini tragedia de nelson rodrigues. encomendei tanto a justificativa pra um semblante sofrido que quando ele finalmente chegou na minha caixa de correio eu nao queria abrir de jeito nenhum. me ví um frouxo. estava alí a caixinha com a justificativa pra toda minha pose de coitado adotada durante toda a vida e eu nao queria segurar o pacote. muito menos abrir. nesse momento eu enxerguei a luz do canhao seguidor e a cortina do teatrinho pastelao se abrir pra minha cena de monologo. um monologo que eu nao queria de verdade. queria colo, queria ser confortado e tratado como coitadinho sabendo que nada tinha acontecido. só o dengo que eu queria, aquele que eu sempre quis quando caia e machucava o joelho que nem doia. Mas mesmo assim eu mancava e chorava lagrimas de lagartixa na eminencia inexistente de perder a perna. todos os amores eram como romances épicos, sem final feliz. tudo um derrame de sangue sem fim, uma jornada de sofrer e a coroa da angustia como aquela de espinhos do jesus. talvez quisesse ser jesus. tambem quis ser michael jackson, tambem quis ser o batman. todos esses caras tinham o passado traumatico e o futuro glorioso que eu sempre achei ser uma referencia para as grandes pessoas do mundo. uma vida conflitante que era vencida pelos valores ou virtudes inabalaveis resultando na figura da vitoria. todos tinham sido tadinhos no passado. eu, que sempre quis ser tadinho, nao gostei do gosto quando pus na boca. quis devolver mas nao tinha jeito. escovar os dentes nao adiantava e eu fiquei ali sentindo o gosto um tempao parado. ai veio a ideia de me fazer um martir mais uma vez. Ia morrer. vendo agora, nao houve momento verdadeiro em que eu quis me disfazer de mim mesmo, mas cheguei a pensar por vezes por ser uma maneira de ser tragico com justificativa. minha cabeça nao deixava. era muito cinico, racional e desprendido para chegar a tal ponto. percebi a falta de sentido que ia fazer eu me privar da vida como num rompante de tristeza aguda. e o grande legado do heroi? ia deixar um par de amigos para traz, uma porçao de parafusos enferrujados guardados em caixinhas de diferentes tamanhos e só. nao fazia sentido. "ah! ce ficou sabendo? aquele menino morreu!" era o maximo da extensao da minha tragica renuncia a vida. patetico. era patetico como é patetico o pensamento todo. a sombra da enorme mediocridade dos meus mais profundos pensamentos me fez cair de vergonha. uma vergonha furiosa que só eu podia ver. guardei municao para seguir em frente. a unica forma de nao passar novamente por aquela situaçao tao patetica era ser alguma coisa de que me orgulhar antes de poder bancar o martir injustiçado. foi aí que eu virei um adulto no espelho. sei lá o que o mundo pensa mas pra mim eu era o mais adulto dos homens. tinha passado minha guerra. minhas cicatrizes eram aquelas que eu sentia na hora de nao dormir tentando dormir. o trauma finalmente existiu. ele esta aqui. as vezes dominante, as vezes incubado. eu o tenho. sou meu proprio martir. ninguem precisa saber. ninguem vai notar. a unica coisa que vao notar é meu olhar de coitadinho por aí, sem saber o motivo.

domingo, 9 de setembro de 2007

alguma coisa acontece no meu coraçao


que só quando cruza a ipiranga e a avenida sao joao.