segunda-feira, 10 de setembro de 2007
aceno
Mais uma vez aqui estou eu pensando mais do que fazendo. Fiquei comigo mesmo horas a fio hoje tentando preconceber o que vai acontecer comigo dentro dos próximos 14 dias. Foi assim me perdendo em possibilidades que eu me encontrei mais uma vez. Isso tem acontecido com muita frequencia desde que eu recobrei a minha hipotética saúde mental. Essa saúde vem do equilíbrio das minhas vontades. Da alegria do meu dia-a-dia, do amadurecimento das minhas ações e por ter feito as pazes com o mundo. Então aqui estou eu na posição irônica de ser deixado pra trás com um paninho branco acenando no cais. Porque irônico? Porque 6 anos atras era eu que partia no barco. Eu saia em busca de um sonho. Era muita renúncia envolvida. Uma vida inteira deixada pra trás. Gente acenando o paninho pra mim, eu bem me lembro agora. Só que dentro da minha cabeça o que passava era um filme totalmente distante de tudo aquilo. O anseio pelo novo, pelo imprevisível era tudo que eu enxergava. Ainda me lembro quando pegava o ônibus para são Paulo que me levaria até o aeroporto internacional. Foram horas de silêncio. Eu não estava sozinho mas cada um dentro daquele ônibus estava muito ocupado com seus próprios pensamentos. Era uma mistura de medo e empolgação pueril que encharcava cada minuto. Sentado agora no meu quarto, depois de todos esses anos eu fico paralisado naquele momento como se tivesse acontecido agora. A diferença, além da óbvia ação do tempo é que agora eu vivo o lado dos bastidores. O coadjuvante da historia protagonizada por quem vai em busca de um sonho. O paralelismo é inevitável. Quando foi minha vez, eu estava vivendo um momento bem tumultuado da vida pessoal e por vezes eu me confundo pensando o que realmente acontecia naqueles dias que antecediam a partida. Assim como acontece agora ao inverso, era eu que deixava pra trás alguém que não queria me perder e ao mesmo tempo não queria que eu perdesse o meu sonho. Talvez por causa dessa prévia experiencia toda eu assumi agora o papel neutro de incentivador incondicional. Primeiro por saber o que te espera do lado de fora quando você vai em busca do que não conhece. Segundo por não querer ser uma pedra de duas toneladas amarrada na cintura de alguém fazendo força contrária ao sentido da turbina do avião. Como sempre fui um tipinho egoísta até pouco tempo, eu pouco me preocupei (difícil admitir essas coisas) com o sentimento de quem fica pra sentir a falta. Quem vai é amparado pelo mascaramento que a novidade incessante bombardeada todo o tempo proporciona. Quem vai é também confortado pelo grande sentimento de realização, de ciclo iniciado, de página virada. Já quem fica é quem vive a rotina da vida como antes. Porem com o sentimento de amputação repentina que permeia todas as mínimas açoes. é como se achar acordado depois de uma boa noite de sono, sem as coisas boas que estavam presentes durante o sonho. é acordar na mediocridade da vida vazia sem ter nada pra fazer. engraçado é ver isso hoje, aqui sentado escrevendo sobre o sentimento que um dia eu causei e que agora é meu. famoso "o mundo dá volta" e sou eu uma prova viva desse ditado. nao só por isso, mas por tudo mesmo. tem mais por vir...
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário